sexta-feira, 18 de abril de 2008

Expectativas românticas.

Ah, pobres corações humanos. A coisa mais comum é a gente idealizar o que não nos é acessível, seja um bem material ou emocional, uma coisa ou uma pessoa. Não importa o quanto se escreva sobre o assunto tentando trazer à realidade que Cinderelas e príncipes em cavalos brancos são personagens de contos de fada, não há explicação ou teoria que arranque dos peitos o sentimento enraizado e esperançoso: no fundo, no fundo, os homens procuram à mulher perfeita e nós, o príncipe encantado. Por quê? Porque quando eles tornam-se reais e humanos perdem o encanto. O par perfeito inexiste no mundo real, mas é uma forte presença no imaginário feminino e masculino. E vive-se a esperar pelo par perfeito, a alma gêmea que virá se acoplar à nossa, no pedestal inalcançável em que nos colocamos. Talvez porque seja muito mais cômodo acreditar que a felicidade cairá do céu do que ir em busca dela. Hellooo, vamos cair na real, não há nada mais perfeito do que nossas imperfeições. São elas que nos tornam únicos. São elas que nos fazem especiais. São elas que tornam o outro especial. Pra que desejar ser igual ao resto da humanidade, por que seguir padrões de beleza e comportamento quando deveríamos ressaltar nossas curvas ímpares, nossa risada engraçada, nosso nariz charmoso, nosso olhar maroto, nosso beijo peculiar, nosso cheiro, nossos gestos, nosso rebolado imbatível, nossa geometria assimétrica, adorável e arrojada? Customização já! Seja diferente, seja autêntica, seja o melhor que puder ser por você e para você. Seja você mesma. É claro que amar-se não vai livrar você de sofrer por amor. Mas o amor-próprio vai ajudá-la a sarar as feridas mais rapidamente, a se reerguer. Sabendo quem você é e do que gosta, fica muito mais fácil juntar os caquinhos e remontar-se como num quebra-cabeça onde a figura final é uma velha e querida conhecida. Fica muito mais fácil superar a fase do "Como assim ele não me ama mais? Ele me matou dentro dele?". A morte em vida é a pior das mortes. Mas não precisa ser desta forma. Uma pessoa que nos abandona está nos dando um presente: está nos entregando a nós mesmas. Quantas vezes você teve o privilégio de tomar as rédeas da própria vida e galopar livre pelo amplo universo das infinitas escolhas? Não ter outra opção a não ser ficar sozinha significa ter todas as opções. É só uma questão de perspectiva. Mas lembre-se: assumir as rédeas da própria vida é também assumir as conseqüências. Você sabe o que quer para si? Ser fiel a si mesma é ser fiel ao que se acredita. E o que vale para mim tem que valer também para o outro. Caso contrário prepare-se para penar. O mundo vai parecer eternamente injusto enquanto homens e mulheres não se perceberem iguais em direitos. Hoje somos donas do nosso nariz. No universo feminino, desejamos um homem protetor feito o nosso pai, mas não queremos ser (nem somos!) submissas como a nossa mãe. Queremos ser independentes, mas que eles abram à porta do carro. Arcamos com as próprias despesas, mas nos incomodamos em dividir a conta do restaurante. As idealizações do príncipe encantado e da mulher perfeita caem por terra. As personagens dos contos de fadas voltam para o mundo de faz-de-conta. E o final feliz pode ser, sim, aqui e agora!

Um comentário:

Mariana Soberanski disse...

Achei lindissimo, sem mais.